domingo, 15 de março de 2009

Estudo Sobre Maria - 2º Parte

O Primeiro Milagre de Jesus Assinala a Primeira Manifestação da Glória de Deus Marcando sua Volta à Terra

Maria sabia que Jesus era o Messias.

O anúncio dado pelo anjo Gabriel e a forma milagrosa como ela engravidou, não lhe deixavam dúvida.

Também o regozijo de Isabel ao vê-la grávida, as manifestações de júbilo dos anjos no seu nascimento, os testemunhos de Simeão e Ana, dos magos, de João Batista, tudo eram evidências claras de que Ele realmente era o Ungido de Deus.

Passaram-se, entretanto, cerca de trinta anos, sem que nenhuma manifestação de poder houvesse acontecido da parte dele.

A primeira oportunidade para a manifestação da sua glória, surgiu durante umas bodas realizadas em Caná da Galiléia onde Maria e Jesus se encontravam como convidados (Jo 2.1,2).

Como no ministério terrestre de Jesus, nada pode ter acontecido por acaso, Deus escolheu exatamente uma festa de casamento para realizar o seu primeiro milagre, porque um casamento lembrava a aliança firmada entre Deus e Israel, cujas bases eram solidificadas num pacto de fidelidade mútua, à semelhança de um pacto nupcial.

Enquanto permanecia fiel à aliança feita com Deus, Israel era comparada a uma esposa, e Deus era o seu remidor (Is 43.l; compare com Rt 3.9; Ez 16.8), e a cumulava dos mais ricos presentes (Ez 16.7-14). Entretanto tais bênçãos estavam sempre vinculadas à estrita obediência à Lei (Ez 16.15-42).

O vinho era um dos símbolos de bênçãos (Dt 7.13; 11.14; Pv 3.9,10; Is 65.8; Dt 32.14), e a sua falta significava maldição (Dt 28.39; Is 24.5-11; Os 2.8-12; Sf 1.13), em virtude do concerto que Deus havia firmado com eles, quando ficou estabelecido que a bênção ou a maldição lhes seriam dadas, como recompensa pela obediência ou desobediência aos seus juízos.

A terra prometida era fértil (Nm 13.23,27), e com a bênção de Deus sobre ela, produziria frutos e vinho com abundância para Israel (Pv 3.9,10; Is 27.6).

No segundo ano do êxodo, quando encontravam-se a três dias de distância de Canaã, à mandado do Senhor, Moisés enviou espias para observarem a terra que iriam conquistar. Era o período das primícias das uvas (Nm 13.20), e eles trouxeram do fruto para o apresentar a Israel. E era tão grande o cacho de uva, que foi necessário dois homens para transportá-lo numa vara sobre os ombros (Nm 13.23).

Israel era a vinha que Deus plantara na terra (Is 5.7; 27.2-6), e Ele esperava que a sua vinha fosse fiel e produzisse justiça e juízo (Is 5.7).

O relato Bíblico nos faz entender que esta foi a causa porque Deus firmou concerto com Abraão, porque viu nele fidelidade, e viu também que ele haveria de ordenar a seus filhos e à sua casa para que guardassem o caminho do Senhor, e praticassem o Juízo e a Justiça (Gn 17.1,2; 18.17-20; Ne 9.7,8), que é o que Deus exige de todo homem, porque o Juízo e a Justiça são a base do seu trono (Sl 97.2), e a terra e a sua plenitude lhe pertencem (Sl 89.11).

Infelizmente, em todo o Velho Testamento encontramos notícias dos constantes desvios de Israel e dos insistentes apelos do Senhor para trazê-los de volta, através dos Profetas, que acusavam a nação de adultério e os chamavam de volta à prática da fidelidade a Deus.

Entretanto eles só voltavam quando se viam em grandes apertos e não encontravam socorro em nenhum outro, e aí reconheciam que só o Senhor poderia socorrê-los (Os 2.7).

Mas logo voltavam a serem infiéis, e acabaram invalidando a aliança com Deus. Israel acabou tornando-se uma vide estranha, uma planta degenerada (Is 1.21,22; Jr 2.21), pelo que o Senhor desceu sobre ela a maldição, expulsando os moradores da terra e tornando a terra em deserto (Is 5.5-7).

O muito prevaricar foi a causa deles terem sido enviados para o cativeiro e invalidado o concerto com o Senhor (Jr 9.12-16 e 31.32).

E aos que foram para o cativeiro, Deus lembrou-lhes através de Ezequiel, que a razão do castigo tinha sido os seus muitos adultérios ((Ez 16.32).

A ida para o cativeiro significou uma terrível perda para Israel, pois além dos reinos de Israel e Judá terem sido destruídos, o concerto entre eles e Deus foi invalidado, e a Glória de Deus retirou-se do meio deles (Lm 2.16), e consequentemente as bênçãos prometidas.

Mas pela sua fidelidade a Abraão, a Davi, e a Jerusalém, a cidade que elegeu para por nela o seu nome, o Senhor prometeu que enviaria o Messias para restaurar o reino (Zc 8.3) aos remanescentes de Israel (Is 6.5-9; 10.21,22; Rm 9.27).

Regressaram após setenta anos de cativeiro, mas continuaram sob o jugo estrangeiro, porque a promessa de restauração da vinha, ou seja, a restauração do reino, estava vinculada à vinda do Messias, que como um renovo (Jr 33.14-16; 23.5-8), faria um novo concerto com Israel e os edificaria como uma nova vinha (Jr 3l.31; Is 4.2-6), que daria vinho novo, purificado (Is 25.6-9; 27.2-6; Jr 31.1-40). Porque eles serão purificados de toda sua maldade (Jr 33.6-8). As nações opressoras serão julgadas, e eles governarão o mundo, e terão abundância de paz e de prosperidade (Jr 33.4-16; Ez 36.16-36; Is 4.2-6).

A restauração do reino significava o restabelecimento da aliança que havia sido firmada entre eles e Deus, no Monte Sinai, e o que é mais importante, significava também a volta da Glória de Deus (Is 40.5) para habitar em Jerusalém, quando Deus então estaria novamente desposando a Israel (Os 2.16,19,20).

Portanto, a restauração do reino significava um novo pacto e um novo casamento entre Israel e Deus, e é por isto que o primeiro milagre de Jesus foi realizado numa festa de casamento (Jo 2.1-11), onde Ele inaugurou o seu ministério, pois Ele era o noivo que Israel esperava (Mc 2.19,20; Os 2.19,20), o Messias prometido (Jo 4.25,26), o Filho Unigênito de Deus (Jo 1.18; Mt 3.17; Jo 14.8-10), e a expressa imagem da sua Glória (Jo 1.14; 2 Co 4.4).

Uma festa de casamento em Israel, durava em média sete dias. Durante este período de festejos, os convidados compareciam, uns após outros, sendo que, alguns entravam e saíam, novos chegavam, e outros permaneciam por mais tempo. E a todos, os noivos igualmente deveriam recepcionar, não podendo em hipótese alguma faltar o vinho, que era a bebida tradicional dos judeus, desde a conquista, porque era um dos principais produtos da terra.

Mas exatamente naquela festa em que Jesus se encontrava, o vinho faltou. Com certeza isto também não foi acidental. Deus queria que ficasse registrado para a posteridade, a condição de pobreza a que ficou submetido o povo de Israel, depois que lhes tiraram o reino e eles foram entregues ao jugo de sucessivas nações estrangeiras, que os despojaram ao longo dos séculos, sendo que tudo isto lhes acontecia porque eles haviam invalidado o seu concerto com Deus.

Mas eles criam na promessa do Messias, e o aguardavam para restaurar-lhes o reino e a prosperidade, já naquela época. Isto está demonstrado no fato de Maria ter comunicado a Jesus que faltou vinho. Ela sabia que Jesus era o Messias, e como o seu povo, ela também acreditava que seria naquela época a restauração do reino (At l.6, 14 ).

Isto denota a condição espiritual do povo, pois eles não haviam entendido as predições das Escrituras que revelavam que o Messias, antes de restaurar o reino, iria primeiramente padecer para realizar a obra expiatória para o perdão dos pecados (Dn 9.24-26; Is 53.1-12; Zc 12.10; 13.6; 3.8,9).

E o Senhor tinha consciência disto, quando respondeu a Maria que ainda não era chegada a sua hora, ou seja, ainda não era a época da restauração do reino, pois primeiro Ele teria que expiar os pecados do povo.

Mas isto Maria não compreendia, e por isto esperava dele a solução para o problema da falta do vinho, pois uma das promessas ligadas à restauração do reino, é que Israel transbordaria de gozo, e teria vinho com abundância (Is 25.6; 62.8; 65.21; Jl 2.19, 24; 3.17, 18; Am 9.13-15).

Entretanto, o Senhor fizera ver a Maria que a restauração do reino não seria um feito humano, mas o seu cumprimento seria realizado pelo próprio Deus, a quem Jesus estava transcendentemente unido em obediência, por laços filiais eternos, enquanto que, sua união filial com Maria, dizia respeito apenas ao corpo humano que o revestia, e nenhuma influência poderia ser exercida da parte dela, para a execução da obra que Jesus veio realizar.

Isto está claramente implícito na expressão de Jesus: "Mulher, que tenho eu contigo?" (Jo 2.4). Com esta expressão, o Senhor estava lembrando a Maria a diferença existente entre ambos, e as implicações que essa diferença trazia no relacionamento entre os dois, com relação à sua obra:

1º) Jesus é do céu (Jo 3.13, 31; 6.33,35,38, 51, 62);
Maria era da terra (Lc 1.28; Gl 4.4);

2º) Jesus é o Criador (Jo 1.3);
Maria era criatura (Ap 5.13);

3º) Jesus é o Senhor (Lc 1.43);
Maria era serva (Lc 1.38,48);

4º) Jesus é eterno (Jo 8.54-58);
Maria era mortal (Jo 6.58; 1 Co 15.21,22);

5º) Jesus é o Salvador (Lc 2.25-30);
Maria era carente de salvação (Lc 1.46,47);

6º) Jesus é o Filho Unigênito do Deus eterno (Lc 1.35; Mt 1.23; Jo 17.24);
Maria era apenas a mãe do homem Jesus (Lc 1.31,33);

7º) Como Filho do Deus eterno, Jesus era preexistente e imortal (Jo 1.1-4);
Como filho de Maria, Jesus estava vestido de um corpo humano, mortal (Hb 2.9, 14, 15; Mt 2.13);

8º) A filiação entre Jesus e o Pai eterno jamais terá fim (Jo 16.28; 13.3);
A filiação entre Jesus e Maria, findou com a morte (Jo 6.63; 19.26-28);

9º) Como Filho de Deus, Jesus tem todo poder nos céus e na terra (Mt 28.18);
Como filho de Maria nenhum poder Jesus teria (Jo 5.19, 30; 8.28; 12.49; 14.10);

10º)Jesus veio para realizar a obra Messiânica planejada pelo Pai (Lc 1.32, 33):
Maria estava entre os que aguardavam o Messias (Lc 1.54, 55);

11º)A Jesus tão somente cumpria realizar a vontade do Pai (Jo 4.32-34);
A Maria tão somente cumpria guardar todas estas coisas, conferindo-as no seu coração (Lc 2.19; 51; 1.66).

Entretanto, Jesus veio para ser uma bênção para toda família da terra, e nada o impedia de tirar o opróbrio dos noivos, suprindo a falta do vinho, e assim, Ele operou o seu primeiro milagre, transformando água em vinho, manifestando a sua Glória em Israel.

Mas isto não significava em absoluto o início do reino messiânico, porque ainda não havia chegado a sua hora, ou seja, Jesus ainda iria para o Calvário, porque na sua primeira vinda, Ele veio como a semente da mulher para esmagar a cabeça da serpente e conceder-nos a vitória eterna.



Fonte: www.adcandel.com.br

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